Dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Mogi das Cruzes (SP) e presidente do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, assina artigo publicado no site do episcopado paulista, na última quinta-feira, 11 de outubro, tratando do tema “Pastoral Juvenil, Sínodo e Jornadas”.

 

Pastoral Juvenil, Sínodo e Jornadas

 

A Pastoral Juvenil representa a ação organizada da Igreja em prol da evangelização da juventude e tem como meta ajudar “os jovens a descobrirem, seguirem e comprometerem-se com Jesus Cristo e sua mensagem, de modo que, transformados em seres humanos novos, e integrando sua fé e sua vida, sejam protagonistas na construção da Civilização do Amor” (Estudos da CNBB 103, Pastoral Juvenil no Brasil: identidade e horizontes).

É necessário que aconteça uma renovação eclesial que torne também a evangelização da juventude cada vez mais missionária, eficaz e transformadora. “A Pastoral juvenil é a expressão concreta da missão pastoral da comunidade eclesial em relação a evangelização dos jovens, que será também boa nova para a Igreja e proposta de transformação para as pessoas e para a sociedade” (Estudos da CNBB 103).

Num profundo desejo de dar voz aos jovens e despertar o protagonismo da juventude, o Papa Francisco anunciou, em 06 de outubro de 2016, um Sínodo para Igreja com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Seguiu-se um “Documento Preparatório”, apresentado em 13 de janeiro de 2017. No final desse documento havia um “questionário”. Houve também um “Seminário Internacional” sobre a condição juvenil, de 11 a 15 de setembro de 2017, com a participação de cerca de 50 especialistas de diversas áreas interdisciplinares e de jovens dos diversos Continentes.

A “reunião pré-sinodal dos jovens”, realizada em Roma, de 19 a 24 de março de 2018, teve a participação de mais 300 jovens e outros 15.000 conectados por meio das mídias sociais. Em 08 de maio desse ano, o Conselho Ordinário do Sínodo, presidido pelo Santo Padre, aprovou o Instrumentum Laboris para a próxima reunião que acontecerá de 03 a 28 de outubro.

A Pastoral Juvenil do Regional Sul 1, em sintonia com os demais Regionais e Organismos da CNBB, desempenha importante serviço missionário, em vista da aplicação do Documento para a Evangelização da Juventude: “A Igreja do Brasil entende que a juventude é um ‘lugar teológico’ privilegiado. Considerar o jovem como lugar teológico é acolher a voz de Deus que fala por ele. A novidade que a cultura juvenil apresenta neste momento, portanto, é a sua teologia, isto é, o discurso que Deus nos faz através da juventude. De fato, Deus fala pelo jovem. O Jovem, nesta perspectiva, é uma realidade teológica, que precisamos aprender a ler e a desvelar. Trata-se de ver o sagrado que se manifesta de muitas formas, e também na realidade juvenil e nas culturas juvenis”. (cf. Doc 85 da CNBB e CF 2013).

Do Sínodo de 2018, o olhar da Igreja mira a próxima Jornada Mundial da Juventude, a ser realizada em janeiro de 2019, no Panamá. A JMJ é um encontro planetário organizado pela Igreja Católica. Tais jornadas escrevem uma bela história iniciada há três décadas, envolvendo os últimos três papas, os Continentes da Terra e milhões de jovens. Têm apresentando abundantes frutos para a juventude, para a Igreja, para a humanidade. Os jovens são os protagonistas, os papas a referência. São João Paulo II, inspirador, iniciador e realizador de tantas jornadas, tornou-se patrono espiritual das mesmas. Sua última participação foi em 2002, no Canadá.

A JMJ é uma festa, um canto de esperança, uma celebração de fé professada por jovens seguidores de Jesus Cristo. Nela, os jovens podem “pôr em comum suas aspirações, intercambiar a riqueza de suas culturas e animar-se em um caminho de fé e vida, no qual alguns se creem sós ou ignorados” (Bento XVI: Madri, 2011).

Os jovens saem felizes das Jornadas, por terem feito uma experiência ímpar de fraternidade e beleza, de transbordante alegria e fraterno congraçamento universal, conscientes de terem anunciado ao mundo que a paz é possível, sobretudo, onde a presença de Deus é reconhecida, a verdade é buscada e o respeito une as diferenças.

As Jornadas ensinam que é possível crescer na fé, alimentar a esperança e fortalecer a coragem. Elas permitem vivenciar novos valores e vislumbrar um caminho eficaz de superação da violência. É ocasião para encontrar pessoas e culturas, celebrar a vida e entender que o próximo é um dom e um tesouro, não uma ameaça. É um anúncio de que vale a pena apostar na Juventude.

 

 

Dom Pedro Luiz Stringhini

Presidente do Regional Sul 1 da CNBB